Caco Monteiro fala sobre a emoção de trabalhar com Miguel Littín

Caco Monteiro como "Fernando Flores" em Dawson

Caco Monteiro é ator, com 32 anos de carreira profissional e transita entre o teatro, televisão e cinema. Já ganhou importantes prêmios no cenário do teatro baiano, como o prêmio Martins Gonçalves de Melhor Ator em 1981 e o Prêmio Bahia em Cena em 1989.

Nos anos 90 que Caco começou a fazer trabalhos na televisão e no cinema. Fez várias participações em novelas e programas humorísticos da Rede Globo (Laços de Família, Suave Veneno, Andando nas Nuvens, Corpo e Alma, Escolinha do Professor Raimundo, Ó pai Ó). No cinema, atuou em diversos filmes de curta e longa metragem, como Tieta do Agreste, de Cacá Diegues e Rádio Gogó de José Araripe Jr.

Caco Monteiro também atua no filme recém lançado Capitães de Areia, dirigido por Cecília Amado, neta do escritor Jorge Amado. 
 

Confira abaixo um depoimento de Caco Monteiro sobre sua experiência em atuar no filme Dawson Ilha 10:

"Fui convidado por Walter Lima, co-produtor do filme Dawson Ilha 10 para ser um dos atores brasileiros do filme. Antes de falar do meu personagem (Fernando Flores) falarei da minha emoção de poder trabalhar com Miguel Littin.

Eu ouvi falar de Miguel Littin pela primeira vez na década de 80, quando morava no Rio de Janeiro, quando li um livro do Gabriel García Márques chamado As aventuras de Miguel Littín Clandestino no Chile, no qual o Gabriel narra a saga do Littin, um cineasta chileno exilado na Espanha, para fazer um documentário sobre o Chile do Pinochet.
 
Admiração por Littín
Fiquei completamente fascinado ao ler aquela história de vida, de coragem e de amor pelo seu país, pois ele teve que fazer uma cirurgia plástica, para entrar no Chile, para que os soldados de Pinochet não o reconhecessem e não o matassem, e ele conseguiu não ser reconhecido por ninguém, nem pela própria mãe (é emocionante quando Garcia Marques descreve o encontro dos dois). Fiquei impressionado ao ver um diretor corajoso e obstinado em contar aquela história. Bem, assim conheci um pouco da vida do Miguel Littin e do Chile do ditador Pinochet. 
 
Quando o Walter Lima me convidou para trabalhar no filme e me apresentou o Littin no III Seminårio de Cinema da Bahia, conversamos um pouco e ele me falou do roteiro.

Nunca imaginaria na minha vida que estaria fazendo parte de um filme que descrevesse o que aconteceu logo após o golpe. Fui então estudar mais profundamente a língua espanhola, a cultura e a história chilena para incorporar o meu personagem em Dawson Ilha 10, Fernando Flores (engenheiro), que no governo de Salvador Allende era o Ministro das Finanças.

Nos últimos 10 anos, Fernando Flores foi senador da republica da região de Tarapacá (norte do Chile) e atualmente é Presidente do Conselho Nacional de Competitividade do Chile. Não tive a oportunidade de conhecê-lo.

Nos sets de filmagem
Fiquei filmando em Santiago do Chile por um mês, doze horas por dia. O que mais me impressionou no processo de filmagens e na direção do Littín, foi que a maioria dos atores, digo os chilenos, não haviam vivido a época do golpe, alguns eram ainda crianças, e a preocupação do Miguel Littin na direção, era que nós imprimíssemos o sentimento de consternação que se abateu naquele período. Então ficávamos ouvindo os relatos dele com a sua voz calma e pausada num silencio absoluto no set, e depois que ele relatava filmávamos. Foi uma experiência incrível. Fomos, eu e o Bertrand, muito bem recebidos pelos atores chilenos, que nos trataram como querido hermanos."

Caco Monteiro
 
 

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