O cineasta chileno Miguel Littín, que lançará seu último filme Dawson Ilha 10 – A verdade sobre a ilha de Pinochet no Brasil, em novembro, possui uma vasta bagagem cinematográfica. Dentre os filmes que assina destaca-se o documentário Acta General de Chile (1988), filmado por Littín clandestinamente em plena ditadura chilena.
A coragem e vontade de Littín em filmar os horrores da ditadura de Pinochet, uma das mais longas e sangrentas de todos os tempos, se transformaram num livro de Gabriel García Marquéz: A aventura de Miguel Littín clandestino no Chile.
O livro é baseado em uma conversa de dezoito horas gravada entre Garcia Márquez e Littín sobre a experiência de filmar no Chile tendo seu nome estampado em uma lista de 5mil exilados políticos absolutamente proibidos de voltar ao país.Para executar seu projeto político, Miguel Littín teve que se transformar em outra pessoa: mudar sua personalidade, aparência e principalmente sua maneira de rir, que era muito característica. “Eu tinha que deixar de ser um diretor de cinema pobre e inconformado para transformar-me no que menos gostaria de ser nesse mundo: um burguês satisfeito”, disse Littín.
Miguel Littín praticou um ato de extrema coragem ao enfrentar a ditadura chilena e ao renunciar à sua própria personalidade por um ideal coletivo. Quando apontado por muitos como herói ele comenta “este não foi o ato mais heróico da minha vida, foi o mais digno”.
Confira o livro A aventura de Miguel Littín clandestino no Chile de Gabriel García Marquez (versão em espanhol).

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